Das corridas de rua a piloto


Um sonho – das corridas de rua a piloto de Motorsport, uma história real contada na 1ª pessoa

 

O meu nome é Bruno Condeixa e como muitos rapazes desde pequeno que sou apaixonado por carros .  Tudo começou com o meu pai , ele sempre foi o meu ídolo. Comecei desde pequeno a andar com ele de carro , tendo ele sido piloto de rally , serviu-me sempre de base para um dia mais tarde poder ser como ele.

 

 

Com ele aprendi muito, desde motores a modelos de carros a formas de conseguir uma boa performance dependendo do carro , tracção ou modelo. Com 16 anos começou tudo para mim , enganando o meu pai e ás vezes “roubando” as chaves do carro . Ainda sem carta de condução, tive alguns imprevistos. Não podendo pedir ajuda ao meu pai para me ensinar como fazer ponto de embraiagem entre outras coisas, pelo menos sabia onde travar e acelerar .

 

 


Apesar de não ser correcto o que estava a fazer, não o conseguia evitar.

A adrenalina corria-me no sangue. Ao mesmo tempo deparei-me com pessoas que amavam o mesmo que eu . Todas as sextas feiras e sábados decorriam as mesmas corridas nocturnas, sendo elas ilegais e punidas com multas ,apreensão do automóvel e até mesmo pena de prisão!

 

Todo esse sub mundo toma o nome de “Street racing” ( corridas de rua). Tendo eu vivido a maior parte da minha vida na zona Centro do pais, tínhamos como pontos de encontro bombas de gasolina, variantes , parques de estacionamento … 

A pratica semanal levou-me a aperfeiçoar-me como piloto e conheci pessoas que me ajudaram a aperfeiçoar também a minha “máquina” ( a troco de dinheiro, claro ).

 

Usei durante 2 anos o meu Opel Astra F ( carro que ainda hoje tenho ). Como toda a gente, o meu carro não era o melhor de todos , mas também não era o pior. No street racing tudo gira á volta de potencia , grandes motores , motores pequenos extremamente puxados , pneus , suspensões e muitas vezes quem tem mais dinheiro , consegue ter as melhores maquinas ou consegue ganhar! O street racing divide-se em três áreas : rectas, 400 metros e circuito. Muitos daqueles que conheci corriam em 400 metros ou em rectas , no meu caso não tendo muito motor( pois tinha um motor 1400cc) dediquei-me as corridas de circuito (por perder nas rectas, mas ganhar nas curvas) , as quais tomam lugar dentro da cidade (que consiste quase só de curvas e rotundas) e normalmente são corridas bastante intensas e rápidas, onde acabava por ganhar .

 

Três anos depois de andar no street racing ,o meu pai comprou um dos melhores carros que já conduzi até hoje (Honda Civic 1.6 V-Tech) , carro esse que me levou a entender que eu não passava de um acelera .

 

Ao volante desse carro descobri que além de circuito também me podia juntar ás corridas de recta ( corridas essas que são idênticas ás da “Ponte Vasco da Gama”)

 

Durante 2 anos corri com o Honda e ganhei 99% das corridas em que me meti. Ao volante daquele carro muitos dos carros que todos respeitam, devido ao uso de potência e motor ( como por exemplo Audis A3 e A4 TDIs , Peugeots 206 , etc. ..), não tinham o mínimo de hipótese . Com tudo a minha vida sofreu uma reviravolta, ficando o meu pai doente e fora de casa por vias de tratamento, sozinho e meio desamparado comecei a cometer erros que não cometia antes .

Depois disto tentei andar acompanhado o mais possível para não pensar em tristezas.

Contudo nem sempre quando se está no topo tudo corre bem . Uma sexta feira a noite a “mostrar” o meu carro a quatro amigos , a fundo no meio da cidade , a uma velocidade de 140km/h deparei-me com um Mercedes S500 a sair de uma rotunda e pensei : >>o Mercedes de certeza que me vê e ouve<< , pois o Honda com o V-tec (sistema que funciona como um género de turbo num motor normal aspirado , sendo activado as 4500 rotações por minuto , depois de activo aumenta de forma significativa a potência debitada pelo motor e da mesma forma aumenta o nível de decibéis emitidos pelo escape e pelo próprio motor ) grita bastante alto … Até hoje mantém-se a incógnita, se ele me viu mesmo ou não ( se bem que eu penso que sim ), ele acabou por se meter na mesma , desta forma eu com quatro pessoas e sem carta só pensei : >> se lhe acerto , transformo-o num Smart<< e meti travão a fundo e depois de umas quantas manobras acabei em cima de um passeio com mais de 10cm de altura. O meu carro ficou imobilizado e de forma a já não sair de lá a andar .

 

Com a frente do carro totalmente destruída , o chassis recolheu 6cm , o reboque (este que já muitas vezes me tinha visto a correr e não gostava de mim ) demorou uma eternidade a rebocar-me, do qual deu tempo a policia de chegar ao local .

Os que iam dentro do carro não sofreram um único arranhão e (apertados pela policia) começaram a contar tudo o que não devia ser dito .. Uma vez, depois de ter metido a “pata na poça” informei-me com um advogado do que fazer e foi-me aconselhado a tirar a carta de condução . Sem dinheiro para reparar o meu Honda e atraiçoado por muitos dos meus amigos , comecei a tirar a carta. No entanto, ainda com tudo fresco e trabalhando diariamente , não perdi o bicho de andar de carro e por isso fui buscar o antigo Opel Astra .

Acalmei-me durante uns tempos , pensei em ganhar alguma distância depois de todos os problemas e foi aí que me dediquei ao Tuning. Até era divertido, devido ao sistema de som, pelas jantes grandes e pelos pneus largos .

Acabei por frequentar varias concentrações Tuning, como a de Santarém .

A nível de relações as coisas não andaram muito bem, devido ao que me tinha acontecido com o meu Honda e por isso comecei a afastar-me e a concentrar-me em mim mesmo. Até que um dia na praia vi uma miúda e com a química acabei por trocar o numero com ela , estando ela de férias e vivendo na Alemanha, as coisas começaram a ficar negras para o meu lado. Mesmo assim, não queria desistir de lutar por ela , dessa forma, ao fim de uns meses, acabei por emigrar para a Alemanha atrás dela. Depois disso trabalhei na Alemanha num restaurante, onde, passando uns meses, sofri um acidente de trabalho, no qual rompi os ligamentos cruzados. Seguiram-se duas operações ao joelho que me deixaram imobilizado mais de um ano fazendo-me ganhar para cima de dez quilos.

 

Passado um ano voltei a Portugal para buscar o meu carro, este tinha ficado com um amigo que só o estragou com o tempo e por isso, depois de leva-lo para a Alemanha, voltei a restaura-lo e a mete-lo mais bonito a nível de estética .

Dois anos e meio passaram e devido ao extremo controle policial na Alemanha tornou-se impossível continuar com o street racing. Com o apoio da minha namorada e devido a não desistir do meu sonho de correr , acabamos por nos informar e ver que me poderia tornar num piloto profissional no Motorsport. Por isso tirei a Licença Profissional A , pensado eu que era fácil, juntando á licença o meu talento como condutor, mas estava enganado . Ao contrário das corridas de rua, o dinheiro aqui tem uma dimensão bastante grande , e os números são bastante altos . Depois de falar com várias pessoas , muitas noites sem dormir , stress diário e depressão por não conseguir nada, nem simplesmente correr numa pista , alguns meses depois disseram-me >>terás de construir um nome por ti mesmo<<.  Sem muitas ferramentas para tal , sem emprego e não querendo desistir do meu sonho , usei o meu Opel Astra F para fazer um nome por mim mesmo.

 

Tirei todo o sistema de som (dois amplificadores , um condensador , um subwoofer e mais quatro colunas) e em 2011 juntei-me ao campeonato nacional alemão de Slalom (provas de perícia) .  Não tendo o carro preparado para tal acabei por desistir do mesmo ao fim de 2 provas (pois estas também custam dinheiro ) e durante o ano de 2011 , preparei o carro de forma a que 2012 pudesse atacar o campeonato de novo.

 

 

Para tal modifiquei varias coisas , desde jantes novas da O.z Utraleggera (pesam 6.4kg), pneus semi slicks , suspensão , travões , pastilhas e mesmo barras anti aproximação a frente e atrás, entre outras coisas. No total consegui tirar perto de 60 quilos. Contente por ter o meu carro semi pronto para 2012 , vimos, eu e a minha namorada (a qual desempenhou um papel de manager ao longo da minha jornada no Motorsport), que uma Team procurava alguém com talento para correr para eles .

 

Desloquei-me 600km para ir a audição, mas não sabia que iria ter de impressionar um piloto profissional de ETCC (Andreas Pfister). O problema não era impressiona-lo, mas sim faze-lo contra 19 outros pilotos, entre eles pessoal que corria nos karts desde os nove anos e um deles que vinha da Formula BMW e tinha como patrocinador a RedBull.

 

Apoiado pela minha namorada até ao fim , finalmente chegou a minha vez de mostrar o que valia. Durante 45 minutos o piloto Andreas Pfister avaliou a minha condução e passado 2 semanas foi-me dado a conhecer que tinha sido escolhido para ficar na equipa.

 

Desta forma, com o apoio de uma equipa , o manager da team e eu comecamos a construir o meu nome no Motorsport. Assim foi adoptado o meu segundo nome (Ricardo) para fins publicitários e desta forma , lã fiquei eu como Ricardo Condeixa . 

De momento, já com alguns patrocinadores do meu lado , deverei juntar-me a Pfister-Racing Team a correr na Cruze Cup ao volante de um Chevrolet Cruze de pista .

Depois de tanto lutar, penso se vale mesmo a pena continuar. Será que consigo?

 

Veja aqui:
http://pfister3.both-sides.de/index.php/fahrer/87-ricardo-condeixa

 

Com o apoio certo sim !!! No meu caso perdi 7 quilos no espaço de um mês , treinei o dobro , e estou no Motorsport de coração, esperando chegar o mais alto possível . Hoje a Cruze Cup .. e quem sabe daqui a uns tempos ETCC ou mesmo WTCC . O melhor é mesmo nunca desistir .

 

Para todos aqueles que me queiram seguir, poderão faze-lo também através de meios simples como o “Facebook”. Basta procurarem pelo piloto português na Alemanha, Ricardo Condeixa.

Ricardo Condeixa 

http://www.facebook.com/pages/Ricardo-Condeixa/325925147470988

 


Nota do webmaster

Conforme o próprio autor corajosamente reconhece e explícita por diversas vezes,  o “street racing”  é  crime e as situações de ilegalidade devem ser evitadas a todo o custo,  para evitar situações perigosas e condenáveis.

 


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