Líbia 2007- Finalmente!


Líbia 2007- Finalmente!


Bernardo…

Seja pela astúcia e coragem do brilhante oficial alemão Erwin Rommel “Raposa do deserto” na luta contra os aliados,


Tobé…

seja pelo ataque da patrulha solitária comandada pelo Major Pat Clayton “Long Range Desert Group (LRDG)” que, em 1941, a caminho de Kufra, percorreu 2000 kms de deserto para içar a bandeira francesa na fortaleza que, desde 1931, pertencia aos italianos de Mussolini,


Leonel…

seja pelas corajosas aventuras e desventuras de Fernando Laidley que de VW “carocha” cruzou as areias da Líbia na sua inédita volta a África em 1955;


Paula…

seja pelas inúmeras passagens do rali Paris Dakar do Thierry Sabine quando a UMM ainda mostrava as cores da engenharia Lusa;


Rui…

seja por relatos de actuais viajantes, humanistas, repórteres e escritores como R. Kapuscinski, J. Nobre, Miguel Sousa Tavares, José Megre, Crish Scott, Tom Sheppard, Michael Pallin, J. Gandini e muitos outros fervorosos adeptos do desafio, da aventura e da paz de espírito que só viajar no deserto proporciona;


Carla…

…ou muito simplesmente pelas deslumbrantes fotografias que de, vez em quando, aparecem nos livros e revistas e que mesmo sem olhar para a legenda se identifica a sua origem…

Tico…

Foi por estas e muitas outras razões que este ano rumámos para a Líbia…. (Portugal, Espanha, França, Itália, Tunísia, Líbia (e um cheirinho de Argélia).

Mousa…

O relato em capítulos semanais vai começar em breve, mas antes apresentamos ainda o omnipresente convidado especial…


…  “Sr. António”!


e o Mapa…

21/11/07: Líbia 2007 – Capítulo I

Saímos de Portugal, depois das habituais confusões da saída, dia 30 de Julho de 2007

“A primeira etapa levar-nos-ía até 60 quilómetros do Erg e na manhã do dia seguinte começaríamos a abordagem às dunas.”

 

Capítulo I

A Líbia é um país com aproximadamente 6 milhões de habitantes dos quais 90% vivem no norte do território.

6 000 000 x 90% = 5 400 000 habitantes no norte da Líbia
6 000 000 x 10% = 600 000 habitantes distribuídos pelo restante território

A área da Líbia é de 1 759 540 quilómetros quadrados (equivalente a quase 20 vezes o território de Portugal)!!

Sendo que a área norte mais densamente povoada da Líbia corresponde a 7% do território, sobram 93 % do território para 10 % da população. Isto é: 600 000 habitantes para 1 636 350 quilómetros quadrados!

Assim, de uma forma grosseira podemos dizer que, tirando o norte do país, temos 2,7 habitantes por cada quilómetro quadrado de território de deserto…

Se antes de arrancarmos tivéssemos feito estas simples contas, a nossa primeira surpresa teria sido um facto mais do que esperado.

Os nossos objectivos eram navegar nas areias do Erg Ubari e fazer uma aproximação ao Erg Murzuk...

Saímos de Portugal, depois das habituais confusões da saída, dia 30 de Julho de 2007 rumo a terra do ditador Kadafi. Os nossos objectivos eram navegar nas areias do Erg Ubari e fazer uma aproximação ao Erg Murzuk, ter mais uma vez o desafio da navegação, condução e sobrevivência no deserto e por fim ligar a história que já tínhamos lido e conhecíamos às cidades no norte da Líbia e aos restos arqueológicos dos povos que habitaram na orla do mediterrâneo: Fenícios, Cartagineses, Vândalos, Bizantinos, Otomanos e mais recentemente Italianos.

chegámos à fronteira de Rass Ajdeer, actualmente a única aberta a turistas europeus...

Como as obrigações legais na Líbia assim o obrigam, quando chegámos à fronteira de Rass Ajdeer, actualmente a única aberta a turistas europeus, o nosso contacto já nos esperava com duas pastas de documentos previamente traduzidos para árabe que nos facilitariam a passagem e que nos permitiriam circular. Faltava só colar as novas matrículas e apanhar o nosso Polícia Turístico em Ghadames que nos teria de acompanhar a par e passo durante toda a nossa estadia!

...chegámos à fronteira de Rass Ajdeer, actualmente a única aberta a turistas europeus...

A apreensão era muita pois teríamos de conviver com este “intruso” – de seu nome Mousa – nas próximas semanas…

Como tivemos de fazer um desvio não previsto para o apanhar resolvemos também alterar o percurso fazendo assim com que as contas de autonomia que tínhamos feito deixassem de ser válidas. Tivemos de refazer as contas para o gasóleo sem saber muito bem quanto iríamos gastar sabendo só que teríamos pela frente 800kms dos quais 140 seriam de dunas…

as contas de autonomia que tínhamos feito deixassem de ser válidas

As contas da água também tiveram de ser refeitas e tentámos estimar quantos litros iríamos beber por dia quando tivéssemos de empurrar os LR e quando tivéssemos de carregar com as placas sob o sol do meio-dia? 3 litros/dia por pessoa? 5 litros/dia por pessoa? 8 litros/dia por pessoa? Água para banhos não iria existir e para lavagens o indispensável. É extremamente importante manter os carros o mais leves possível para poupar esforços e a mecânica mas não podemos deixar acabar a água!…

Confirma-se que nada falta e estamos prontos para o deserto com o nervoso de quem estudou a lição mas que não sabe o que lhe espera!!!….

A primeira noite logo após Ghadames foi didáctica para nos (re)lembrar qual o calçado a usar no deserto!

Iremos usar uma pista pouco marcada e actualmente com pouco uso que passa muito perto da fronteira com a Argélia. Há meia dúzia de anos as passagens junto à fronteira e pequenas incursões ao território argelino eram toleradas mas hoje em dia a situação já não é bem a mesma…

A primeira etapa levar-nos-ía até 60 quilómetros do Erg e na manhã do dia seguinte começaríamos a abordagem às dunas. Na prática a pista que estávamos a contar seguir só dava para fazer no sentido Sul-Norte (contrário ao que nós seguíamos) e só depois de algumas horas perdidas a tentar solucionar o problema, contornando um maciço rochoso e procurando descidas alternativas no meio da areia e rocha, conseguimos chegar ao tão esperado Ubari!

O nosso Polícia Turístico, que afinal era polícia/guia/mecânico, não conhecia esta passagem e ninguém sabia ao certo quantos cordões de dunas teríamos de atravessar. A passagem mais convencional faz-se actualmente mais a Este do ponto onde encontrávamos e demorava 4 horas a fazer superando-se 7 cordões.

...os Erg nesta região são “mares” de cordões de dunas orientados de nordeste para sudoeste!

Nota: os Erg nesta região são “mares” de cordões de dunas orientados de nordeste para sudoeste com alturas muito variáveis alternados com “hamadas” que são zonas de solo duro muitas vezes recobertos de pedra ou areia plana. Passar cada cordão de dunas é um verdadeiro desafio para a mecânica, nervos e condução, onde é necessário saber escolher o melhor sítio e a velocidade certa para passar as pequenas e grandes dunas… velocidade a menos e é necessário tentar outra vez (muitas vezes à custa de mais uns minutos a cavar a areia escaldante e a empurrar) e demasiada velocidade pode fazer com que literalmente se salte a duna! Estes cordões devem ter aproximadamente 5 quilómetros de largura e algumas centenas de quilómetros de comprimento!

De aqui para a frente se fosse detalhar cada arranque, cada subida, cada curva, cada descida, cada duna, cada passagem, cada atascadela, cada placa metida debaixo das rodas, cada empurrão, cada corrida, cada gota de suor, cada garrafa de água a descrição iria ficar tão aborrecida que nada teria de ver com o que se passou na realidade! Se o esforço foi enorme a realização foi maior!

Ao fim do dia tínhamos quatro cordões passados sem saber muito bem quantos ainda nos esperavam…

No dia seguinte recomeçou o carrossel por volta das nove da manhã e ainda tivemos de passar mais cinco cordões até começarmos a ver as montanhas a sudoeste, sinal de que as dunas estavam a acabar.

O incansável Mousa, depois de muitas corridas e muitos “power power”, “go go” desabafou “sleep desert no good!” o que queira dizer: “para – a –  próxima – levantem-se – cedo – que – a – melhor – altura – para – andar – nas – dunas – é – de – madrugada – e – não – na – torreira – do – sol – do – meio – dia!!!...”

... incansável Mousa, depois de muitos “power power”, “go go” desabafou “sleep desert no good!”

Esta primeira grande etapa levou-nos à primeira surpresa. Tirando o posto militar de controlo, por onde passámos, e um caçador (!) e seu guia à saída de Ghadames, os únicos seres humanos que vimos foram dois pastores argelinos que davam beber de aos seus camelos do lado Líbio!!! 800 quilómetros (que davam para sair de Coimbra, atravessar Espanha e chegar a França) e apenas duas pequenas caras com pele curtida pelo sol e embrulhadas em roupa branca!

...O fim da etapa era Serdeles mas ainda tínhamos de passar pelo plano Erg Titersine ...

O fim da etapa era Serdeles mas ainda tínhamos de passar pelo plano Erg Titersine que começa na Argélia e que se estende até aos maciços rochosos do Akakus – começo da nossa próxima etapa.

...O fim da etapa era Serdeles mas ainda tínhamos de passar pelo plano Erg Titersine

A chegada a Serdeles serviu para relembrar o que era uma cola e uma garrafa de água fresca, atestar os carros de água e gasóleo, remendar (literalmente coser!!) um pneu e arrancar para os 700 kms de deserto seguintes…

...remendar (literalmente coser!!) um pneu ..!
Antes..

...remendar (literalmente coser!!) um pneu.
…depois!

29/11/07: Líbia 2007 – Capítulo II

Quando conduzíamos na areia, com o sol quase na vertical e sem obstáculos evidentes, perdemos completamente a noção de tridimensionalidade.

“Quando conduzíamos na areia, com o sol quase na vertical e sem obstáculos evidentes, perdemos completamente a noção de tridimensionalidade. Deixa de haver subidas, descidas, lombas ou buracos…”

 

Capítulo 2

Akakus- Messak Mallat- Erg kasa- Telmsine Pass- Erg Murzuk

O cenário é digno de um filme, com pinturas rupestres dos tempos em que o Sahara ainda era verde e em que albergava animais de grande porte

O cenário é digno de um filme, com pinturas rupestres dos tempos em que o Sahara ainda era verde e em que albergava animais de grande porte. Esta zona caracteriza-se por uma paisagem de deserto rochoso, esculpido pelo constante vento e pelas grandes amplitudes térmicas e que produzem “esculturas” impressionantes, tanto pela forma como pelo tamanho. Qualquer livro sobre o país traz sempre esta zona remota bem documentada fotograficamente, porque efectivamente a paisagem tem um aspecto verdadeiramente fora do comum.
Depois de passar o Akakus, esperava-nos o Erg Kasa. De pequenas dunas de fácil passagem, este Erg termina numa imensa extensão de areia quase plana.

De pequenas dunas de fácil passagem, este Erg termina numa imensa extensão de areia quase plana.

Nesta noite parámos um pouco mais cedo e aproveitámos para fazer uma merecida revisão aos Land Rover, que tão bem se tinham portado até ao momento. Limpar filtros, ver níveis, verificar pneus, confirmar folgas e apertar os parafusos que sempre teimam em se ir desapertando. Não mais do que é necessário fazer diariamente numa campanha deste estilo, mas com um pouco mais de tempo, merecida dedicação e com o respeito que uma relação simbiótica o exige.

“Instalámo-nos para passar a noite. 
Desembarcamos cinco ou seis caixotes, colocando-os em círculo, vazios como guaritas. 
e, dentro de cada um, uma vela acesa, mal protegida contra o vento. 
Assim em pleno deserto, sobre a crosta nua do planeta, 
num isolamento dos primeiros dias do mundo 
nós construímos uma pequena aldeia de Homens”

Antoine de Saint Exupéry não esteve connosco nessa noite, mas quando escreveu estas linhas bem que podia estar a descrever o serão que passámos sentados em círculo abrigados por caixotes do vento que incessantemente arrastava areia, enquanto, entre amigos, brindávamos aos amigos ausentes e aos projectos porvir.

O (mais) fresco da manhã já tinha passado há algum tempo. Não era a primeira vez que acontecia, mas naquele dia essa sensação foi ainda mais notória.

O (mais) fresco da manhã já tinha passado há algum tempo. Não era a primeira vez que acontecia, mas naquele dia essa sensação foi ainda mais notória. Quando conduzíamos na areia, com o sol quase na vertical e sem obstáculos evidentes, perdemos completamente a noção de tridimensionalidade. Deixa de haver subidas, descidas, lombas ou buracos. Deixa de haver areia dura ou mole e deixa de haver areia ondulada ou fech-fech. Tudo fica sem contrastes e sem sobras, deixando a paisagem exactamente igual em extensões perfeitamente imensuráveis. Será que estamos a guiar para um buraco? Será que à nossa frente temos uma subida acentuada e não damos por ela? Estas dúvidas surgem tantas vezes que damos por nós a rolar a velocidades muito mais baixas do que poderíamos ou repetida e repentinamente tiramos o pé do acelerador sem nenhuma razão aparente. Além disso, o ar quente que sobe desde a superfície da areia escaldante distorce a realidade e cria efeitos às vezes difíceis de perceber.

Quando conduzíamos na areia, com o sol quase na vertical e sem obstáculos evidentes, perdemos completamente a noção de tridimensionalidade

Miragens não são só os lagos de água fresca e as palmeiras com tâmaras para os desesperados, mal achados e sequiosos.

Sobre a areia escaldante, à medida que avançávamos, começávamos a perceber onde estava a entrada para a Telmise pass. Entre os maciços rochosos à direita e à esquerda uma zona mais baixa dava a entender que poderia haver ali uma passagem que nos deixaria continuar viagem sem ter de “escalar” às montanhas. Para nos ajudar a confirmar as nossas suspeitas, viam-se agora vários trilhos que apontavam, mais curva menos curva, nessa direcção. Os quilómetros iam-se sucedendo e as pistas, agora pedregosas, cruzavam-se repetidamente umas mais viradas para sul, outras mais para norte. Na ânsia de escolher o melhor caminho, fomo-nos deslocando cada vez mais para sul na esperança de voltar a apanhar a direcção que queríamos e, à medida que andávamos, fomos substituindo a pedra outra vez pela areia. Distraídos pelo “conforto” que é circular pela areia, acabámos por circundar a Telmise pass um pouco mais por Sul na direcção da fronteira com o Níger mas desembocando no sítio previsto.

Tínhamos agora à nossa frente o imponente Erg Murzuk, que, pela dimensão, pela reputação, pelo carisma, pelas histórias, pelo aspecto desafiante e obviamente pelo monstruoso respeito que merece, é tão apelativo como perigoso! Desta vez, vamos fazer 400 quilómetros a contornar as suas areias mas fica a promessa que um dia o iremos cruzar como fizemos com o não menos imponente Erg Ubari umas boas de centenas de quilómetros a norte.

 Mas, como “nem tudo são rosas”, tínhamos agora os largos rodados dos camiões que transportam água e equipamentos para os poços de petróleo...

No início ainda fizemos alguns quilómetros por areia mole, mas apercebemo-nos que se nos afastássemos do grande Erg a pista tornava-se mais fácil de circular e começava a ficar bem marcada. Mas, como “nem tudo são rosas”, tínhamos agora os largos rodados dos camiões que transportam água e equipamentos para os poços de petróleo, que, devido ao peso e tamanho, deixam sulcos fundos tornando a condução um verdadeiro desafio. Se sairmos da pista a areia mole e fina não nos deixa circular, e voltando à pista os sulcos fazem com que a “barriga” dos Land Rover 110 vá constantemente a roçar a areia, aumentando o risco de bater numa pedra escondida e acabando inevitavelmente por nos deixar pendurados com as rodas levantadas. Outra solução é deixar as rodas de um dos lados, no alto centro da pista, e as do outro lado nos fundos sulcos… mas com este estratagema, embora consigamos não ficar pendurados, temos de andar perigosamente inclinados. Sempre compromissos, nada é de graça!

À medida que nos deslocávamos para norte, o Erg Murzuk começava a ficar para trás e começavam-se a notar novamente sinais de civilização e do investimento que se começa a fazer na Líbia em plantações de pasto maioritariamente para exportação. Por estranho que o conceito possa parecer, no meio da areia surgem quase do nada grandes círculos verdes muito bem delineados pelos mecanismos de rega e que saltam da paisagem árida como uma duna de areia saltaria se surgissem no meio dos verdes campos da Escócia! Vistos pela fria perspectiva dos satélites parecem pintas de tinta verde de vários tons alinhadas numa imensa tela amarela!

 Imagem_Google Earth

Veja onde … (Pasto-Deserto.kmz )

Google Earth

http://earth.google.com

panoramio

http://earth.google.com                                 Photograph by Hamada Toshiyuki

06/12/07: Líbia 2007 – Capítulo III

viam-se já outra vez as imponentes e douradas dunas e imaginávamos já...
De volta à civilização, almoçámos num pequeno restaurante a olhar para os mapas e para os livros, pois sabíamos bem o que nos esperava nos próximos dias. Bem encostados à estreita estrada que segue de este para oeste e que separa a sul o Erg Murzuk do Erg Ubari, a norte viam-se já outra vez as imponentes e douradas dunas e imaginávamos já, atrás delas, os tão esperados lagos.

Saímos para a terceira grande etapa ao som do hino aos amigos do  Jorge Palma
“Encosta-te a mim”:

“Tudo o que vi
Estou a partilhar contigo
E o que não vivi
Um dia hei-de inventar contigo…”

Não sei se pela experiência acumulada nos milhares de quilómetros que já tínhamos feito até ao momento, se pela vontade do descanso do guerreiro em Tripoli chegámos à capital da Líbia em menos tempo do o que esperado e com a possibilidade de ainda fazer uns quilómetros de pista no regresso a casa pela Tunísia!
Ao chegarmos a Tripoli lá cantava no rádio o Jorge Palma:

“…eu venho do nada…”

Não sei se pela experiência acumulada nos milhares de quilómetros que já tínhamos feito até ao momento...

Ser romano em… Tripoli

Tripoli é uma cidade genuína com aproximadamente 1.600.000 habitantes. Está estruturada para quem lá vive e, ao contrário de muitas outras cidades do Magreb, não se assiste às habituais estratégias para vender todo o tipo de bugigangas e recordações aos turistas europeus porque esteve sujeita ao embargo Nações Unidas que só foi levantado em 2003. O que se vê é o que é e para quem lá mora. Simples! Turismo até há algum mas de Líbios, Argelinos, Tunisinos e Egípcios (com hábitos bem diferentes dos nossos) e se não fosse o apertado controlo policial aos turistas do outro lado do mediterrâneo, que além do mais nem sequer se esforça para ser discreto, era uma boa cidade para se ser romano em Roma.

Está estruturada para quem lá vive e, ao contrário de muitas outras cidades do Magreb...

depois do banho e da roupa lavada aterrámos na barbearia dum provavelmente Mohamed bem no meio da Medina.

Como qualquer capitão que, ao deixar o mar para voltar à civilização em terra, toma um banho, veste roupa lavada e obviamente escanhoa a barba, nós achámos que era um bom exemplo a seguir e depois do banho e da roupa lavada aterrámos na barbearia dum provavelmente Mohamed bem no meio da Medina. A conversa sobre o Luís Figo e o Rui Costa, os golos do Cristiano Ronaldo e os resultados da “Champions League” poderia perfeitamente ter acontecido na defunta barbearia da Praça da República em Coimbra (ou provavelmente em qualquer outra barbearia em Portugal) mas os detalhes técnicos do artista só para quem lá esteve…

realidades completamente diferentes no que respeita ao modo de viver

Dia 15 de Agosto estávamos a entrar na Tunísia, de volta a Portugal, e além das 24 horas de ferry e dos longos 2500 quilómetros do regresso pouco mais há a relatar do que do enorme contraste entre Tripoli e Tunes, cidades capitais que pouco mais distam de 500 quilómetros mas que apresentam realidades completamente diferentes no que respeita ao modo de viver e ao modo de lidar com os euros. Pena que essas diferenças sejam  pelas piores razões…

 

p’la 100RUMO
bernardofeio

14/12/07: Líbia 2007 – Epílogo

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Os viajantes…
Bernardo Feio Bernardo Feio
Profissão: Eng. Mecânico
Residência: Coimbra
Experiências anteriores:

2006 Agosto – Africa do Sul, Moçambique e Zimbabué.
2005 Dezembro, 2006 Janeiro – Marrocos
2004 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia, Mali, Senegal e Guiné Bissau
2003 Outubro – São Tomé e Príncipe
2003 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia e Senegal
2002 Agosto – Marrocos
2002 Fevereiro – Marrocos
2001 Fevereiro – Marrocos

António Cunha (Tobé)
Profissão: Eng. Electrotécnico
Residência: Coimbra
Experiências anteriores:

2006 Agosto – Africa do Sul, Moçambique e Zimbabué.

António Cunha
2004 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia, Mali, Senegal e Guiné Bissau
2003 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia e Senegal
2002 Fevereiro – Marrocos
2001 Fevereiro – Marrocos
Paula Mota Paula Mota
Profissão: Professora
Residência: Coimbra
Experiências anteriores:

2006 Agosto – Africa do Sul, Moçambique e Zimbabué.
2004 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia, Mali, Senegal e Guiné Bissau
2003 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia e Senegal
2002 Agosto – Marrocos

Rui Cancela
Profissão: Eng. Mecânico
Residência: Aveiro
Experiências anteriores:

2002 Fevereiro – Marrocos

Paula Mota
Carla Monteiro Carla Monteiro
Profissão: Eng. Agrónoma
Residência: Aveiro

Experiências anteriores:
2002 Fevereiro – Marrocos

Leonel Castro
Profissão: Fotojornalista
Residência: Porto


Experiências anteriores:
2005 Dezembro, 2006 Janeiro – Marrocos
2005 Outubro – São Tomé e Príncipe
2004 Setembro – SãoTomé e Príncipe

Leonel Castro
Tiago Braz Tiago Braz
Profissão: Estudante
Residência: Figueira da Foz

Experiências anteriores:

2006 Agosto – Africa do Sul e Moçambique
2005 – Marrocos
2003 Agosto – Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia e Senegal

© 2007 Edição  TTVerde.PT


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